Da Engenharia ao PUBG: a trajetória de tplentz, o brasileiro da Singularity

13/08/2020

Jogador tplentz, da Team Singularity, jogando no computador de sua casa, em Gravataí, no Rio Grande do Sul

Thiago "tplentz" Plentz é o primeiro jogador brasileiro a representar a Team Singularity, uma das principais equipes da América Latina, e conseguiu isso após muita dedicação. Sem emprego na área que cursou na universidade, o pro-player, de 28 anos, mergulhou de cabeça no cenário competitivo de PUBG e hoje vive o momento mais especial da carreira.

Formado em Engenharia Elétrica, tplentz entrou para a Team Singularity naquele que pode ser considerado o seu ano de estreia como cyber-atleta, com salário e rotina de treinamentos.

Morador de Gravataí, cidade com 270 mil habitantes da Região Metropolitana de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, tplentz começou a jogar PUBG em 2017, mas só passou a competir em março de 2019.

"Eu me divirto muito com jogo e gostei de jogar competitivamente. Fui conhecendo o pessoal, jogando e melhorando. Eu sinceramente não esperava chegar ao nível que estou hoje", conta o brasileiro.

Início

No início, tplentz jogava cerca de seis horas diariamente, pois dividia o dia entre a faculdade e o estágio. Com a conclusão do curso universitário, o jogador passou a jogar em torno de 12 horas.

"Minha intenção era trabalhar com Engenharia Elétrica e ter o jogo como hobby, mas, como não conseguia emprego, foquei no jogo, até para ocupar a cabeça e não ficar na neura de estar desempregado", relembra o pro-player.

Ele ressalta que o tempo que passou a ter, por não estar mais estudando e trabalhando no estágio, o fez melhorar no PUBG.

"Quando eu jogava seis horas, sentia que tinha um nível. Com 12 horas, subi para outro patamar. Fui melhorando e melhorando", comenta tplentz.

Já tendo disputado campeonatos da LATAM PUBG Pro Series (LPPS) no ano passado e a seletiva online da América Latina da PGS Américas, em 2020, o brasileiro resolveu investir de vez na carreira de pro-player com o lançamento da Copa PUBG Masters.

A equipe dele, a Novos Tempos, chegou à 1ª temporada da Copa PUBG Masters: Finais, com tplentz como destaque. Em uma partida marcante, o brasileiro matou dez adversários, em trocações em que encarou os oponentes sozinho.

"Eu me dediquei de verdade a partir da Copa PUBG Masters. Antes eu treinava e tal, mas quando surgiu a chance de jogar pela Novos Tempos, decidi que iria fazer valer. Eu almoçava, começava a treinar logo depois do almoço e, de lá pra cá, estou levando bem mais a sério", explica o jogador.

Convite

Para a 2ª temporada, tplentz recebeu o convite para fazer parte da Team Singularity, uma equipe com longo histórico no PUBG e que, até então, nunca tinha contado com brasileiro no elenco.

Primeiro, uma streamer o sondou se aceitaria jogar com cyber-atletas da América Latina. Diante da concordância, veio o convite dias depois, por meio do pro-player argentino Rafael "PIPAA" Ruppel, para fazer testes na Team Singularity.

"Passei uns cinco ou seis dias fazendo testes, jogando daily com eles", conta tplentz, que ficou receoso pela diferença de idioma, já que os companheiros falam Espanhol. "Eu achei que a vaga poderia ser minha, mas tinha a apreensão de não me escolherem por causa do Português, por não conseguir me encaixar direito, por não me adaptar, porque a comunicação realmente muda bastante".

Por isso, a confirmação de que seria contratado pelo clube o surpreendeu e o encheu de orgulho. É o primeiro contrato como cyber-atleta de PUBG que tplentz assina.

"Eu vi como um reconhecimento e fiquei feliz, porque é uma equipe que está há muito tempo no cenário e que disputa as primeiras posições na tabela. Fiquei feliz por terem reparado em mim e um pouco surpreso por ser uma equipe ‘manita’ me procurando", admite tplentz.

Jogador tplentz, da Team Singularity, jogando PUBG no computador de casa, em Gravataí, no Rio Grande do Sul

Adaptação

Ele relata que, pela convivência com jogadores da América Latina no servidor, até arranhava o portunhol, mas que teve dificuldade em se comunicar nos testes com a Team Singularity. Depois, a coisa deslanchou.

"Está tendo uma melhora constante e um tanto quanto rápida. Antes, tinham várias coisas que eu não conseguia pegar na comunicação. Eu precisava estar 100% focado no áudio. Se começassem a falar, eu meio que esquecia do jogo e só focava na comunicação. Agora, eu consigo jogar, entender 90% do que estão dizendo e me comunicar melhor", explica tplentz.

Além de tplentz, a Team Singularity conta com os argentinos PIPAA e Fabio "Chiquitin" Leonel e o paraguaio César "danitw" Arce.

O brasileiro, que joga de Gravataí pela internet, precisa se adaptar também a uma mudança de estilo de jogo. Conforme tplentz, enquanto os brasileiros são mais agressivos, os latino-americanos preferem o jogo cadenciado e tático. "Na Novos Tempos eu era bem mais agressivo. Jogando com a Singularity, dei uma diminuída no ritmo".

Escolha

Segundo PIPAA, a equipe escolheu tplentz porque acredita que ele é o jogador que o elenco precisa. "É inteligente, com alto nível e experiência competitiva. Ele melhorou nossa comunicação e nosso jogo em equipe".

PIPAA admite que a única questão sobre contratar tplentz era a diferença de idioma, mas ressalta que essa dificuldade está sendo superada. "Foi fácil fazer com que todos se entendam. Ele é um excelente jogador e, por muitas vezes, entende o que tem de fazer com poucas palavras".

Meta

O objetivo de tplentz é continuar evoluindo e ajudar a Team Singularity a se destacar na América Latina, tirando o top 1 da Meta Gaming, outra equipe, aliás, que mistura brasileiros com pro-players de outras nacionalidades latino-americanas.

"Minha intenção é continuar jogando para evoluir individualmente e melhorar como equipe para sermos a melhor da América Latina", arremata o pro-player, almejando que, quando houve o retorno dos eventos presenciais, a equipe chegue aos palcos internacionais.

"Vamos brigar pelo top 3, mas sempre almejando o top 1 da nossa região, para, quando acabar a questão do coronavírus, poder jogar o campeonato mundial", espera o brasileiro, que tem uma veia competitiva pulsante. Antes do PUBG, tplentz competiu no Counter-Strike, no judô e no futebol.

"Só jogar por jogar, por diversão, não me atrai muito", conta o cyber-atleta.

Jogador tplentz, da Team Singularity, em seu quarto, em Gravataí, no Rio Grande do Sul, de onde compete no PUBG

Rotina de sucesso

Na rotina de competidor, tplentz começa a treinar individualmente por volta das 14 ou 15 horas, se reúne com a equipe lá pelas 18 horas para conversar sobre táticas e estudar os adversários e, entre 19 e 23 horas, participa dos treinos em scrims. Ele continua jogando durante a madrugada.

Em ascensão, sendo remunerado pelo que ama fazer e competindo em alto nível por uma equipe de ponta, tplentz está no melhor momento da carreira. Orgulha-se disso e exalta as experiências que tem vivido naquele que é em um enorme desafio.

"Eu estou em um grande time, em uma das melhores organizações da nossa região e podendo disputar os principais campeonatos. Eu estou faceiro", comemora tplentz, fazendo uso de uma expressão comum no Rio Grande do Sul que significa feliz, contente.

Com tplentz, a Team Singularity triunfou no Grupo A e se classificou para a 2ª temporada da Copa PUBG Masters: Finais, a ser disputada de 19 a 21 de agosto.

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